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A hora do sacrifício

Não sem barulho disseminado por todo o país, foi aprovada ontem em segunda votação no senado a PEC 55, que trata do limite dos gastos públicos durante os próximos vinte anos. Para a oposição, a PEC significa um retrocesso , ao exercer um controle rigoroso sobre as despesas do governo, sobretudo no que diz respeito às áreas sociais, como saúde e educação.

O governo apresenta números para provar que o país caminhava para a insolvência com um déficit crescente, que mina a confiança dos investidores e só aumenta a dívida pública. Dentro desse cenário, portanto, o controle é inevitável. Mas corte é corte e ninguém gosta de submeter-se a sacrifícios. Por conta disso é que a Grécia quebrou de vez, amargando uma crise dolorosa.

Soluções populistas para graves crises não resolvem o problema e ainda o agravam. A questão parece ser mais de credibilidade e confiança em quem apresenta a proposta do que propriamente do seu conteúdo. De verdade, não há como negar que a gastança descontrolada sobre uma receita limitada leva o país à bancarrota. Mas quando o remédio é doloroso e, ainda por cima, aplicado por um médico que não goza da simpatia do paciente, a picada da agulha dói mais do que deveria.

Com um cenário de denúncias e suspeitas pairando por quase todos os políticos de Brasília, a população fica pouco receptiva a partir para o sacrifício em nome do saneamento de contas que não foram feitas para o seu benefício. Mas pior seria continuar aprofundando o fosso entre receitas e despesas até tornar o país completamente inviável. Que os brasileiros, pelo menos, passem a ficar mais vigilantes com o que fazem os seus representantes políticos, elegendo quem de fato trabalha pela promoção do bem comum.