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Os superpoderes do Supremo

A crise entre os poderes Legislativo e Judiciário, que já estava acirrada, ficou ainda pior depois que o Ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, determinou a suspensão da tramitação da proposta das dez medidas contra corrupção que tramita no Congresso. O ministro considerou que os deputados desfiguraram um projeto de iniciativa popular e, portanto, a análise teria de voltar ao início. Uma intromissão inadmissível na Câmara dos Deputados, afinal os três poderes, segundo a Constituição, são independentes e harmônicos entre si.

No entanto, está sendo cada vez mais comum a onipresença do Supremo, tanta na esfera legislativa quanto executiva. E isso acontece justamente em um momento de fragilidade dos dois poderes, que encontram-se cobertos por uma densa nuvem de suspeitas e denúncias de corrupção.

Com o enfraquecimento do Congresso e do Palácio do Planalto, que enfrentam um desgaste de graves proporções, com o comprometimento da legitimidade dos dois, as togas dos ministros do STF tornaram-se asas e estão alçando voos cada vez mais altos. E por que os deputados e deputadas não reagem? Falta-lhes idoneidade para levantar a voz neste momento em que quase todos estão mais preocupados com as respectivas defesas que terão de apresentar diante das sucessivas delações da Lava Jato.

Onde estão os sucessores de Pedro Simon? Onde foram parar os parlamentares com a altivez e estatura moral de Ulisses Guimarães e tantos outros nomes que honraram a atividade parlamentar? Não conseguimos mais identificá-los na atual legislatura.  Sem reação, o Supremo continua a avançar com ares de superpoderes, ameaçando o conceito da democracia duramente conquistada no Brasil. Fiquemos atentos!