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Ficou difícil para o governo explicar o corte nos gastos

Diz o provérbio que, “ na casa onde falta pão, todos gritam e ninguém tem razão”. Se acontece isso em casa, imagine no Estado. Faltou dinheiro em caixa no país, o governo se viu obrigado a cortar gastos, aprovou uma PEC ( Proposta de Emenda Constitucional) estabelecendo um teto para as despesas, e o mundo veio abaixo. Partidos de oposição, encabeçados pelo PT, gritaram nos quatro cantos do país que a medida era absurda, que prejudicaria programas sociais e afetaria a vida dos mais pobres.

Como a crise econômica atingiu igualmente os estados brasileiros, o Piauí, estado que depende muito dos repasses do FPE ( Fundo de Participação dos Estados), também se viu com restrição financeira. E quando o dinheiro começou a faltar, ameaçando até mesmo o pagamento dos servidores públicos, o que fez o governo? Tratou de apresentar uma emenda para cortar gastos, seguindo o mesmo modelo da federal. Para não ficar idêntica à outra, reduziu o tempo de vigência de 20 para 10 anos.

Acontece que o mesmo público que foi orientado a protestar contra a PEC federal resolveu se rebelar contra a daqui. Servidores de diversas categorias botaram a boca do trombone e gritaram nas dependências da Assembleia contra a redução imposta. Situação difícil para o governo petista explicar por que era contra lá e adotou a mesma medida cá.

A necessidade de controle dos gastos é inevitável e inadiável. O problema é que o discurso de oposição é um e o de governo, outro. Como o partido é oposição no cenário nacional e governo aqui no estado, fica difícil explicar para a plateia a duplicidade do discurso.