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A pedagogia da prisão de Eike

A prisão do empresário Eike Batista, apontado no passado como um dos sete homens mais ricos do mundo, foi emblemática. Mostrou que, a despeito de todas as mazelas do Brasil, o país está mudando. Pelo menos em um sentido, há um fio de esperança sendo conectado com o sentimento popular que anseia por uma nação melhor.

Até alguns anos atrás, era inimaginável ver autoridades ou pessoas com grande poder econômico ser julgadas e punidas por seus atos, por mais indignos que fossem. Mas, ao longo do tempo, as instituições públicas foram se fortalecendo, uma nova geração de profissionais que ingressaram na carreira por concurso público e, portanto, livres de compromissos com apadrinhamento político, tomou assento e, com isso, a justiça começou a ser feita.

Os saudosistas costumam dizer que as coisas só pioram e que, antes, tudo era melhor. Mas, antes, era comum ouvir-se que cadeia só existia para “preto, pobre e puta”. Nesse aspecto, então, podemos concluir que o Brasil melhorou. Hoje, a cadeia está recebendo figuras ilustres como ex-governadores, ex-primeira dama, executivos da mais alta linhagem, gente que nadava em dinheiro e circulava nas mais altas rodas.

A prisão de Eike, como a de Sérgio Cabral, e de todos os outros personagens envolvidos na Lava Jato são pedagógicas e mostram que chegou o tempo de cada um pagar por seus atos, independente do prestígio político ou da conta bancária. A rede formada pela polícia federal e ministério público federal provou do que é capaz. E muito mais ainda está por vir.