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O perigoso exemplo do Espírito Santo

É extremamente perigoso o precedente aberto no Espírito Santo com o aquartelamento dos policiais militares, desde o final de semana passado. Como se não bastasse a explosão de violência que se sucedeu ao movimento dos militares, com assaltos, saques e assassinatos, levando à suspensão das aulas e ao fechamento do comércio, ainda expõe a fragilidade da autoridade estatal.

Todo brasileiro sabe que policial militar não pode fazer greve para não comprometer a segurança pública. E o que fizeram os PMs do Espírito Santo? Encenaram uma ópera bufa, alegando que não podem sair do quartel porque as mulheres estão bloqueando o portão. Que sejam retiradas de lá, então. 

Ninguém questiona a reivindicação dos policiais, que, de fato, merecem um bom salário, até mesmo porque eles arriscam a própria vida para defender a dos outros. É uma profissão de risco, tensão, estresse. Precisam ser valorizados, respeitados e bem remunerados. Mas a maneira encontrada por eles para reclamar esse tratamento é totalmente fora de propósito.

O mínimo que se pode dizer é que o movimento é de uma irresponsabilidade sem tamanho. O estado  e toda a população ficaram reféns, amedrontados pela força da bandidagem, que não encontra mais limites para seus atos. O estado precisa recuperar sua autoridade imediatamente, ou ficará completamente desmoralizado. E pior: se a estratégia dos policiais do Espírito Santo der certo por lá, não tarda e será copiada por outros estados brasileiros, o que seria uma tragédia ainda maior.

Quando os policiais deixam de cumprir uma função que é essencial e provocam uma crise de segurança dessa proporção, eles acabam perdendo a razão na luta por sua justa reivindicação.