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Homens públicos, posturas privadas.

O Brasil está em ebulição, com violência se alastrando pelas ruas do Espírito Santo e Do Rio de Janeiro, governadores denunciados, ex-governador preso, rebeliões em presídios e instabilidade social de toda ordem. A população está assustada, procurando uma resposta pública à altura para colocar o país novamente nos trilhos. Mas, infelizmente, os políticos parecem alheios à tudo que está acontecendo nas ruas e repercutindo nas redes sociais, essa importante ferramenta de expressão do sentimento popular.

Quando mais se espera grandeza dos homens públicos, o que acontece? Eles voltam os olhos apenas para seus interesses particulares, preocupados que estão em salvar a própria pele das denúncias que chegam à banca da Lava Jato.  O descompasso entre o que acontece nas ruas e o que é urdido dentro dos gabinetes palacianos é impressionante.  Parece até que nossos representantes vivem em outro mundo, desconectados da vida real.

Dos treze integrantes da Comissão de Constituição e Justiça, dez são investigados pela Lava Jato. Como é possível?  Um assessor direto do presidente da República ganha status de ministro para ter direito a foro privilegiado e fugir da rigidez do julgamento do juiz Sérgio Moro. O presidente da Câmara também é alvo de denúncias comprometedoras. E , à exceção de uma ou outra voz isolada, não há entre as figuras públicas desse país quem questione tamanha imoralidade.

Que crise de valores é esta a que estamos assistindo?  Podem ter certeza de que é bem pior que a crise financeira, porque, neste caso,  já há sinais, ainda que tímidos, de uma possível saída, enquanto que na primeira não se vê uma luz sequer acesa. Estamos carecendo de líderes de verdade, homens e mulheres com espírito público que pensem mais no coletivo e menos no privado.