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A cidade sofre com a falta de cidadania

Embora sempre muito cobrado, o poder público não é o único responsável pela manutenção e conservação da cidade. A população também tem sua parcela de responsabilidade ou, pelo menos, deveria ter. Os órgãos públicos fazem e a comunidade, quando educada, ajuda a preservar o que foi feito para ser usufruído pela coletividade. Infelizmente, não é isso que se vê em Teresina. As mesmas pessoas que estão sempre levantando a voz para cobrar soluções rápidas e eficazes ajudam a depredar e a desorganizar os serviços urbanos.

É o que acontece quando os moradores jogam lixo nas ruas, sujando a cidade e contribuindo para o acúmulo de insetos e doenças. É mais comum do que se possa imaginar a cena de motoristas dirigindo carros elegantes e atirando o lixo, deselegantemente, pela janela. Será que eles supõem que existe um gari para cada morador, pronto para recolher o lixo que eles atiram no chão? 

Outro exemplo da falta de cidadania, justamente no parque municipal que leva este nome, é a pichação nos banheiros ali instalados. Sempre que há um crime envolvendo menores, ouve-se logo a reclamação de que a culpa é do poder público que não oferece espaços de lazer para a juventude. A Prefeitura constrói um parque amplo, belo, com espaços para a prática de caminhada, skate e outras modalidades esportivas e culturais. Pois nem bem o parque é inaugurado, e aparece alguém, ou alguns, para emporcalhar tudo com pichação, depredando um patrimônio público construído com nosso dinheiro. 

No trânsito também não é diferente. Motoristas deseducados se recusam a seguir as normas e, em busca de encurtar caminho para economizar dois minutos ou um litro de gasolina, passam por cima de meio fio, entram na contramão, atravessam o sinal vermelho, tudo com a maior naturalidade. Para melhorar o trânsito na ligação entre as zonas sul e leste, governo do estado e prefeitura se uniram para alargar a ponte Wall Ferraz. De fato, quem passa ali todos os dias, sabe que o trânsito melhorou consideravelmente. Mas sempre há os espertinhos que querem se dar bem a qualquer custo. E o que eles fizeram? Retiraram as placas de gelo baiano que separam os dois sentidos da pista para não terem que se deslocar até o balão no final da ponte. Assim, eles atravessam de um lado para outro, na maior desfaçatez, sem se incomodar com o risco de acidentes que provocam com este comportamento.

Quando falta educação e cidadania entre os moradores, não há como exigir uma cidade organizada e disciplinada. Como exigir de políticos o que nós mesmos não oferecemos à sociedade?