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O risco de acordar a extrema direita

Em momentos de convulsão ou instabilidade social, como agora, quando rebeliões em presídios resultam em detentos decapitados e exibidos como troféus pelas facções rivais, policiais se aquartelam e bandidos tomam as ruas aterrorizando a população, ou mesmo quando assistimos às autoridades de todos os escalões sendo presas ou denunciadas por corrupção, é comum haver um pensamento dominante de que tudo está fora de controle e só uma mão forte é capaz de botar ordem outra vez na casa.

Quando isso acontece, há um risco imenso de sermos levados a um retrocesso, com o fortalecimento de candidaturas de extrema direita. Foi esse caldo que propiciou o golpe militar em 64, resultando em um período de trevas, tortura e censura, que não devemos mais repetir. Foi também a reação ao medo do desemprego e do terrorismo que levou os norte-americanos a elegerem Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, provocando como consequência uma série de medidas segregacionistas, de desrespeito aos direitos humanos e sociais. Assim também foi na Inglaterra, com a aprovação do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia.

Em todo o mundo, assiste-se a uma perigosa ascensão da extrema direita, com todos os perigos que ela representa de ameaça à conquistas básicas da democracia, da liberdade e dos direitos humanos mais elementares. Incita-se a intolerância ao grau máximo, levando o mundo para o perigoso abismo do ódio e do isolamento.

Aqui no Brasil, precisamos ficar alertas para não sermos também contaminados  por esse sentimento. Nas últimas manifestações populares, já houve quem falasse na volta dos militares; outros aplaudem políticos reacionários como Jair Bolsonaro, que vem ganhando cada vez mais espaço no país. A quem pede e torce pela retomada do poder pela extrema direita, é bom lembrar que, quando isso acontece, os direitos individuais e coletivos são tolhidos, e aí, não haverá mais a liberdade de que dispomos hoje para reclamar e denunciar os erros do sistema.

A frase é velha, mas sempre oportuna:  mesmo com todos os defeitos, ainda não inventaram um regime melhor que a democracia.