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Procurador Geral do Trabalho questiona déficit da previdência

A reforma da previdência está mexendo com os nervos e as expectativas da população brasileira. Trabalhadores e procuradores do Ministério Público do Trabalho consideram que, como está, a proposta é inviável porque os contribuintes não estarão mais vivos para receber o benefício quando completarem o tempo estabelecido pela lei. Pela proposta, para ter direito ao benefício integral, de R$ 5.531, o trabalhador precisa contribuir ao longo de 49 anos. É uma conta pesada. Por ela, para se aposentar aos 65 anos, com o valor do teto, o trabalhador terá que começar a trabalhar aos 16 anos.

A proposta foi duramente criticada pelo  procurador geral do trabalho, Ronaldo Curado Fleury, que se encontra em Teresina. Ele questiona até mesmo o déficit da previdência anunciado pelo governo. O procurador pede mais transparência na divulgação desses dados que, segundo ele, não batem com os números divulgados.  A previdência funciona como uma “caixa preta” e, por isso mesmo, os auditores fiscais estão se debruçando sobre as estatísticas para provar que o problema da previdência é mais de gestão do que do tempo de contribuição previdenciária.

O eco desses questionamentos já se faz ouvir também no Congresso. O deputado federal Heráclito Fortes (PSB) é um dos que prometem colocar uma lupa sobre a proposta para que ela não seja aprovada como um rolo compressor, prejudicando o trabalhador brasileiro. E essa vigilância deve ocorrer por parte de toda a sociedade para que, em nome de  uma crise, que é passageira, o governo não  venha a prejudicar o pagamento da aposentadoria de milhares de trabalhadores.