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As armadilhas da terceirização no serviço público

Servidores terceirizados que trabalham na Maternidade Dona Evangelina Rosa estão reclamando do atraso no pagamento dos salários. Várias categorias fazem parte dessa lista triste dos que prestam seu serviço regularmente, mas não são tratados com o respeito devido. E não são apenas eles. Em vários órgãos, em diferentes épocas, os terceirizados estão sempre sendo penalizados.

Este é um dos motivos que têm levado o sindicato dos médicos a levantar a discussão sobre os riscos da terceirização na saúde por meio de uma empresa, a exemplo da EBSERH, que administra os hospitais federais, como o Hospital Universitário. Lá, soluções simples e cotidianas, muitas vezes, são emperradas pela burocracia que engessa e dificulta a administração.

Aqui no Piauí, fala-se já na EPISERH, semelhante à nacional, para administrar os hospitais públicos. Saúde é um serviço essencial que deve ser prestado pelo estado, não por terceiros. O risco da precarização dos contratos trabalhistas nesse caso é muito grande. E quem diz isso é o Ministério Público do Trabalho, que alerta ainda para a eliminação do concurso, porta de acesso legítima e democrática para o ingresso no serviço público. Sem ele, abre-se espaço para o nepotismo e o apadrinhamento político.

O que se tem visto nos últimos tempos é que, quando a situação aperta, a corda sempre arrebenta do lado dos terceirizados, o lado mais frágil do sistema, que trabalha sem segurança, com salários mais baixos e muitas vezes com um atraso inadmissível, como no caso da maternidade.