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A ressaca pós carnaval

Depois do sobressalto dos últimos dias, com novas etapas da Operação Lava Jato, mais indicações políticas para postos chaves como o Supremo Tribunal Federal e o Ministério da Justiça, o país entra hoje na anestesia coletiva desencadeada pela embriaguez momesca. Afinal, é hora de cair na folia e, durante os próximos quatro dias, quem vai se lembrar dos desmantelos econômicos e políticos que nos sacodem o resto do ano?

No máximo, veremos algumas alegorias criativas satirizando o momento de crise, que acabou virando caso de polícia. Mas isso aqui é Brasil, um Brasil que canta e é feliz, sobretudo nesta época do ano em que a única preocupação é acompanhar o ritmo da vez atrás de algum bloco.

Só depois da quarta-feira de cinzas, passada a ressaca, é que o país vai acordar para a realidade que não tem nada a ver com o colorido das fantasias, ou a alegria fabricada nos trios e desfiles de escola de samba.

O país ainda não recuperou os 12 milhões de empregos perdidos, a conta de energia vai aumentar ainda mais para compensar os reajustes represados eleitoralmente em 2014, e, o pior de tudo, a descrença no poder político só aumenta a cada novo escândalo revelado, cujos protagonistas são pessoas que foram eleitas para nos representar e, teoricamente, defender nossos direitos.

Quando a máscara cair, é hora de levantar o estandarte em defesa de um país mais justo, ético e desenvolvido. A anestesia não pode perdurar, do contrário continuaremos sambando ao som do Sanatório Geral, composição de Chico Buarque que melhor define o nosso Brasil