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Reflexões políticas para a quaresma

Para os cristãos católicos, inicia hoje o tempo da Quaresma -  quarenta dias que lembram o tempo em que Jesus ficou no deserto, orando e jejuando. A Igreja mantém  a tradição de guardar este tempo como período de recolhimento, penitência e oração. É um tempo litúrgico solene, no qual predomina a cor roxa nas vestes sacerdotais.

Para os católicos, deve ser tempo de conversão e de reflexão. Reflexão, sobretudo, sobre o tipo de vida que estamos levando e para onde estamos caminhando. Os últimos anos têm sido marcados por uma corrida insana em busca de poder, dinheiro e prestígio. E a ganância vem arrastando os líderes políticos para os presídios por desviarem dinheiro que deveria ser empregado no bem estar da população.

Tristes tempos estes em que as pessoas que deveriam ser modelo e motivo de orgulho para a população vestem o uniforme de presidiários, despidos de qualquer vergonha por traírem a confiança dos seus eleitores.  A moral vai perdendo espaço na proporção inversa ao acúmulo de patrimônio adquirido ilicitamente, provocando um sentimento generalizado de desconfiança na classe política.

Alguns católicos perguntarão: e o que eu tenho a ver com isso, se não fui eu quem roubou?  Acontece que a omissão torna-se cúmplice. Quando o eleitor escolhe mal seus representantes, trocando voto por emprego ou favor, está alimentando essa cultura da política mercantilista, feita atrás de um balcão de negócios. Cada vez que se cala e não denuncia os mal feitos dos seus representantes, o católico torna-se conivente com este tipo de pecado que atinge não apenas uma pessoa, mas milhares que deixam de ser assistidas em suas necessidades básicas porque o dinheiro que deveria ser usado na promoção humana foi desviado para o enriquecimento próprio.

O tempo da quaresma pode e deve ser usado para pensarmos sobre o desvio que a política brasileira tomou, em todas as esferas, e o papel de cada um na cobrança pela seriedade, responsabilidade e ética na gestão pública.