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O temor das listas e delações

O mal cheiro exalado do escândalo da carne abafou publicamente, por uns dias, a repercussão dos pedidos de abertura de inquérito encaminhados pelo Procurador Geral, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal, com base nas delações premiadas da Odebrechet. Mas a trégua é apenas aparente. Internamente, os políticos já citados e, pior, aqueles cujos nomes ainda não foram revelados estão em estado de tensão permanente com o que há por vir. Eles sabem o que fizeram no verão passado, e não foi nada à luz do sol.

O maior temor mesmo é com relação ao pedido de Janot para que fosse quebrado o sigilo da lista, permitindo que os nomes dos suspeitos viessem à tona. Eles têm ciência de que, com o benefício do foro privilegiado, esses processos se arrastarão por longos anos sem definição. Tem sido assim, historicamente, com os processos que sobem ao Supremo.  Por isso mesmo, o maior medo dos políticos que praticaram transações escusas com empreiteiras em troca de propina é justamente o julgamento da opinião pública. Este, sim, é imediato e implacável. Mais um motivo para que haja total transparência nesse processo para que a população que vai eleger seus representantes no próximo ano conheçam as suas práticas e o seu passado.

Infelizmente, a corrupção criou raízes na política brasileira e se espalhou por todos os partidos, que há muito perderam qualquer conotação ideológica. A única arma efetivamente poderosa e eficaz para combatê-la, bem mais que qualquer legislação, é o voto do eleitor consciente e bem informado. Se a população brasileira se propuser a fazer uma faxina geral no Congresso, poderemos esperar, no futuro, uma legislatura mais responsável. Mas, para isso, a transparência é fundamental.