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Decisões judiciais contraditórias confundem os brasileiros

A justiça brasileira é complexa e incompreensível para a maioria dos brasileiros. Réus condenados por crimes mais brandos passam anos a fio na cadeia, enquanto os que podem pagar uma banca de advogados premiados conseguem a liberdade, mesmo havendo praticado crimes de maior gravidade. Em alguns casos, a mesma justiça decide revogar a soltura e determina que o réu volte para a cadeia.

O goleiro Bruno é um caso típico. Condenado a 22 anos de prisão pela morte e ocultação de cadáver da modelo Elisa Samudio, foi solto em fevereiro deste ano. Dois meses depois, o Supremo manda-o de volta para a prisão.

O mesmo aconteceu com a ex-primeira dama do Rio de Janeiro, a advogada Adriana Ancelmo. Ela conseguiu o benefício da prisão domiciliar, alegando que os filhos menores precisavam da assistência materna, muito embora centenas de outras detentas com filhos pequenos continuassem detrás das grades, por não possuírem status e dinheiro para conseguir a liberdade. Pouco tempo depois, a prisão domiciliar foi revogada e Adriana teve que retornar ao Complexo de Bangu, onde encontra-se presa.

Ontem, o Supremo surpreendeu mais uma vez ao conceder habeas corpus ao ex-ministro José Dirceu, duas vezes condenado pelo juiz Sérgio Moro, com uma pena que soma 32 anos de prisão, por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e desvio na Petrobras. Ressalte-se que Dirceu não é réu primário. Ele já havia sido preso em 2013, condenado por corrupção ativa no escândalo conhecido como “mensalão”.  

Os que infringem a lei no Brasil riem e se divertem com os mandos e desmandos da justiça. Enquanto isso, a população assiste, atônita, à vitória da impunidade, essa grande incentivadora da prática criminosa.