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Para demonstrar autoridade, Temer apela para o Exército.

Há dias, Brasília já havia se tornado caso de polícia, em função de gravações clandestinas, políticos pedindo e recebendo propinas, presidente sendo condescendente com empresário corrupto, acordos de delação concedendo liberdade a criminosos confessos  e outros delitos mais. Ontem, porém, virou caso de exército. Diante da praça de guerra em que se transformou a Esplanada dos Ministérios, o Presidente Michel Temer convocou as Forças Armadas para atuar na segurança do Distrito Federal até o dia 31 de maio.

Foi o suficiente para que a batalha das ruas se transportasse para o plenário da Câmara, que virou uma zona completa. Ninguém se entendia mais. Confusão generalizada dentro e fora dos gabinetes. Desde o início da atual crise, desencadeada há uma semana, com o vazamento do áudio da delação do empresário Joesley Batista, do grupo JBS, Brasília viveu ontem seu pior dia.

A manifestação convocada pelas centrais sindicais contra o Presidente Temer e as reformas trabalhista e da Previdência se transformou em uma baderna generalizada, com destruição do patrimônio público. Algumas pessoas chegaram a tocar fogo nos prédios da Esplanada dos Ministérios, formando um cenário assustador.

A estratégia de Temer ao convocar as Forças Armadas tem o sentido maior de dar uma demonstração de força e autoridade do governo. Muito mais do que garantir a segurança em Brasília. Com isso, ele manda um recado: “ Embora não pareça, ainda há governo. E este conta com o apoio dos militares.”

E assim, Temer vai procurando se sustentar a qualquer custo na cadeira de Presidente que, a cada dia, vai tornando-se mais escorregadia. Ainda há a data em que ele irá encontrar-se com a espada da Justiça Eleitoral, marcada para o próximo dia 6 de junho, quando deverá ocorrer o julgamento do pedido de cassação da chapa Dilma/ Temer. Até lá, as atenções  continuam voltadas para o Planalto, aguardando as cenas dos próximos capítulos desse folhetim mexicano em que se tornou a República brasileira.