Cidadeverde.com

O impacto da Lei das Calçadas na Av. Nossa Senhora de Fátima

A Prefeitura de Teresina está anunciando um projeto de reurbanização de um trecho da Av. Nossa Senhora de Fátima, na zona leste, hoje um dos corredores mais movimentados da cidade,  pela grande concentração de bares e restaurantes. O projeto compreende 16 quadras, que vão da Av. Dom Severino à Rua Visconde da Parnaíba.

A ideia é boa e consiste em garantir acessibilidade aos pedestres, uma tendência que se espalha pelo mundo inteiro, para priorizar as pessoas no convívio urbano. As obras compreendem nivelação, reestruturação e arborização das calçadas, além de sinalização tátil para indicar equipamentos suspensos, como lixeiras e orelhões, como também as garagens residenciais, e rampas de rebaixamento. Está previsto ainda o piso direcional para sinalizar rota ou ponto preferencial  de interesse, como paradas de ônibus, por exemplo.

De fato, as calçadas de Teresina, de um modo geral, são verdadeiros obstáculos para quem se dispõe a caminhar sobre elas. Um perigo mesmo para quem não tem qualquer restrição de locomoção. A Lei das Calçadas nunca foi efetivamente aplicada por aqui.

O que está pegando, porém, é que o projeto, apesar de bem concebido, não foi discutido previamente com quem ocupa o espaço atualmente, que se queixa de ter sido pego de surpresa. Mudanças de impacto na vida da comunidade precisam, antes, ser amplamente debatidos para que as pessoas compreendam a sua importância, apresentem sugestões e críticas. Nenhuma obra importante pode vir autoritariamente, de cima para baixo, senão acaba tendo o mesmo fim que teve a cobrança da taxa de lixo.

Há ainda outro aspecto a ser observado que é a questão da segurança. Os clientes fazem questão de parar bem em frente aos estabelecimentos porque têm medo de parar mais distante e ser assaltados, o que acontece com frequência em Teresina. E até para estacionar nas ruas perpendiculares à avenida, é preciso que elas estejam em boas condições de tráfego. Hoje, muitas das ruas perpendiculares à Nossa Senhora de Fátima ainda são calçadas com a famosa “cabeça de jacaré”, as pedras estão soltas e acabam com qualquer suspensão. Portanto, é preciso pensar não só na avenida, mas também no seu entorno.