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Espetáculo grotesco

A votação de ontem na Câmara dos Deputados, com direito a transmissão ao vivo pela TV aberta, foi um espetáculo grotesco. Teoricamente, os deputados votariam a admissibilidade da denúncia apresentada pelo procurador Rodrigo Janot contra o presidente Michel Temer, acusado de corrupção passiva, depois da revelação da conversa que teve com o empresário Joesley Batista.

Os argumentos sobre um possível envolvimento do presidente, ou se ele havia ou não se beneficiado da propina que o empresário diz ter repassado por intermédio do deputado Rodrigo Rocha Loures, e mais, os benefícios a que o empresário teria direito após o pagamento, nada disso foi discutido.

O que se viu no plenário foi uma arena polarizada ainda com os resquícios e ressentimentos da eleição de 2014. Entre os que votaram pelo arquivamento, ouvia-se justificativas como: “ pelas obras que estão sendo realizadas no meu governo”. Como assim? Não era isso que estava, ou pelo menos deveria estar, sendo apreciado.

Da mesma forma, entre os que votaram pelo prosseguimento da denúncia, os discursos eram igualmente despropositados: “ contra a reforma da previdência, eu voto NÃO, senhor presidente”. Mas ninguém ali estava votando a reforma da previdência, que nem chegou ao plenário ainda, e talvez nem chegue, se tomarmos como base a divisão vista ontem. Outros, mais ousados, votaram por “Lula 2018”.

Mais uma vez, a Câmara provou que o que pesa ali são os interesses político-partidários dos seus integrantes. Tipo: “se eu ganho politicamente alguma coisa com isso, sou a favor; se isso prejudica minhas pretensões eleitorais, sou contra.” Pensar no Brasil mesmo, que é bom, nada.

Agora é hora de olhar o que restou da festa no dia seguinte. O parlamento está dividido e os números mostraram isso. Foram 263 votos a favor do presidente, 227 contra, 02 abstenções e 19 ausências, entre elas a do deputado federal piauiense Marcelo Castro (PMDB). O que fazer com esse balanço para tocar as reformas que foram prometidas? Ou, ainda vai haver igual fôlego para enfrentar uma nova denúncia de Janot?  Ontem, fechamos mais um capítulo, mas essa novela ainda está é longe de acabar.