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Tucanos começam a fazer "mea culpa"

O Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB – sentiu o peso do desgaste sofrido por sua eterna indecisão. Desde que Michel Temer assumiu a presidência da República, os tucanos não se definem de que lado estão ( não é a toa que são lembrados pela metafórica figura do muro). É como se estivessem sempre do alto de um muro a observar o rumo que as coisas tomam para decidir o que fazer.

A situação se agravou com a votação para recebimento da denúncia da Procuradoria Geral da República contra o presidente. O partido rachou bem ao meio. Metade votou a favor; e a outra metade, contra a admissibilidade da denúncia. É bom lembrar que o PSDB ocupa cargos no primeiro escalão do governo.

Ontem, começaram a ser veiculadas chamadas nacionais, no horário nobre da televisão, nas quais o partido começa a fazer sua “mea culpa”, assumindo que errou. A peça publicitária mostra acertos do passado, como o controle da inflação e o Programa Saúde da Família, para, logo em seguida, dizer: “mas agora errou”.  E anuncia para breve o programa que irá trazer as explicações que o eleitorado está a esperar por vários meses.

De fato, o PSDB apequenou-se neste governo. Uma parte é fiel ao Presidente, e permanece no ministério; outra parte significativa prega o rompimento, mas nenhuma decisão efetiva é tomada. Indefinição também foi a marca do partido no episódio do afastamento do então presidente da sigla, senador Aécio Neves, depois de divulgada a gravação na qual pedia R$ 2 milhões ao encrencado empresário Joesley Batista. O partido não o afastou ( esperou que ele o fizesse espontaneamente) e também não veio a público manifestar-se  sobre o episódio.

Pode ser que o reconhecimento dos erros, assumidos agora, seja o começo da recuperação da imagem do partido, que já está de olho na eleição presidencial do próximo ano. Mas aí também o partido incorre na velha divisão. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, apresenta-se como candidato natural, principalmente depois que Aécio Neves veio à lona. Mas seu pupilo, o prefeito João Dória, já começa a andar com desenvoltura de candidato pelo país, como fez no início da semana em Salvador. Pelo visto, não é apenas a população que não entende o PSDB. Os próprios tucanos não se entendem entre si.