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A conta sobrou para você, caro eleitor!

Nada como viver em um país rico, com uma economia próspera, e dinheiro sobrando no caixa do governo.  Pelo menos, essa é a imagem que transparece do Brasil nesta quinta-feira, 10 de agosto, depois que os deputados da Comissão Especial entraram madrugada adentro para aprovar o texto da reforma política. Pela ordem natural das prioridades, a reforma da previdência deveria vir antes, mas a lógica no Congresso é diferente da expectativa real dos brasileiros da planície.

A pressa dos parlamentares em aprovar logo a reforma política tem uma explicação: a criação do Fundo Especial de Financiamento da Democracia, que, apesar do nome bonito, nada mais é que o financiamento público de campanhas políticas. Pelo texto aprovado nesta madrugada, a Nação desembolsará, já para o próximo ano, nada menos que de R$ 3,6 bilhões para custear a campanha de suas excelências, os parlamentares. Esse valor é maior do que o que está previsto para o programa da Farmácia Popular, por exemplo.

É, no mínimo, uma afronta a milhares de brasileiros desempregados, que dependem da assistência social e de serviços básicos como saúde, segurança, educação. A polícia federal, assim como as instituições de ensino superior, tiveram seus orçamentos reduzidos, comprometendo a qualidade e a expansão dos serviços prestados à comunidade. Mas quem se incomoda com isso em Brasília? Antes, é preciso agradar deputados e senadores. E, para isso, como o STF proibiu que empresas privadas financiassem campanhas políticas, a conta foi colocada no colo do governo, essa entidade abstrata que tem o poder de tirar dinheiro dos contribuintes para distribuir entre os aliados.

A expressiva quantia de R$ 3,6 bilhões que será tirada do bolso dos brasileiros que trabalham e produzem nesse país para pagar os gastos abusivos das campanhas e seus marketeiros choca com os estudos ( anunciados e negados, logo em seguida) para aumentar ainda mais a carga tributária já extorsiva a que todos nós estamos submetidos. É uma completa inversão de valores em um país que parece viver no mundo de Alice, a personagem de Lewis Carroll, que vive no reino encantado das maravilhas.