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Agentes provocam constrangimento em nome da lei

Ontem, foi registrado mais um episódio lamentável envolvendo agentes da Strans que, na sanha de perseguir os motoristas da Uber, estão perdendo a noção do bom senso e respeito ao cidadão teresinense. Um vendedor autônomo que transportava a filha com necessidades especiais no banco traseiro foi abordado de forma agressiva ao ser confundido com um motorista do aplicativo para transporte de passageiros. Mesmo o senhor se identificando e explicando que era vendedor, o constrangimento não cessou.

Pior ainda foi a explicação de um gestor da Strans, horas depois, ao tentar explicar o fato. “ Se ele andasse com a certidão de nascimento da filha, nada disso teria acontecido.” Só pode ser piada, e de muito mau gosto. Quer dizer que , agora, quem dirige e, por ventura, esteja transportando alguém no banco traseiro tem de andar com todos os documentos , da certidão de nascimento até a de casamento? Sim, porque já houve um outro episódio em que o agente da Strans exigiu a aliança de casamento para provar que o casal que andava no carro era mesmo marido e mulher.

Até onde eu sabia, o direito prega que o ônus da prova cabe a quem acusa. Mas a Strans parece ter leis próprias. O que parece mais estranho nessa história é que, com tantas falhas no trânsito de Teresina, os esforços estejam concentrados todos sobre os motoristas da Uber, como se eles fossem os maiores bandidos da cidade. Todo dia, milhares de motociclistas circulam perigosamente pelas ruas sem capacete, provocando acidentes e ajudando a engrossar as estatísticas de atendimento no já sobrecarregado HUT. Durante as madrugadas, é possível encontrar  motoristas dirigindo em estado de embriaguês, pondo em risco a vida de outras pessoas. Isso, sem falar na falta de sinalização em muitas vias. No entanto, o inimigo eleito é o motorista da Uber.

Ora, no mundo todo, passageiros têm a opção de escolher por qual transporte vão pagar para se locomover. E, normalmente, eles escolhem o que oferece o melhor serviço por um menor preço. Por aqui tem de ser diferente? Se duvidar, os mesmos que aqui perseguem a Uber, utilizam seus serviços quando estão fora da cidade. Deixem o povo trabalhar em paz. Já não bastam os 13,5 milhões de desempregados no Brasil?