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As contas não fecham lá e cá

A economia deve balançar um pouco esta semana com o anúncio programado para hoje da revisão da meta fiscal do governo federal. O déficit orçamentário, previsto inicialmente para R$ 139 bilhões, deve subir para R$ 159 bilhões. Um rombo bem maior que o esperado.

Para tentar melhorar os números , o governo pensa em algumas medidas, como o aumento da contribuição previdenciária dos servidores federais, que passaria dos atuais 11% para 14%. É provável que isso não ocorra por conta do imenso desgaste que traria ao governo, que já despenca em popularidade.

A verdade é que está difícil fechar as contas públicas, ainda mais depois da sangria vista no mês passado para obter os votos necessários à renúncia do pedido de investigação do Presidente Temer pela Procuradoria da República. Os servidores não têm como entender um aumento de imposto para eles, enquanto o dinheiro corre frouxo entre os parlamentares. Melhor não mexer em vespeiro.

Aqui no Piauí, o cenário não é diferente. O governo contava com um repasse maior do Fundo de Participação dos Estados, mas o que tem acontecido é exatamente o contrário. Só agora em agosto, a primeira parcela do FPE foi 10% abaixo do valor do mesmo período do ano passado. A cúpula do Karnak já sabe que fechará o ano com déficit, só falta dimensionar o valor. O Piauí ainda depende muito de transferências orçamentárias para compor sua Receita. Quando essas transferências caem, como agora, a situação complica.

O problema dos governos, de um modo geral, é que quando as receitas estão um pouco melhor, a tendência é gastar, muitas vezes desordenadamente. Depois, não sabem mais conter os excessos e enxugar as despesas. Também não é comum contar com uma reserva para eventuais perdas e, assim, com uma máquina pública inchada, pesada e burocrática fica difícil navegar em águas turbulentas como agora.