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Remendo novo em tecido velho

O Brasil é mesmo um país sui generis. Com 35 partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral, o que já é em si uma aberração, os aventureiros ainda pensam em criar mais partidos. Não se vê em nenhum deles qualquer traço de compromisso ideológico ou partidário, mas, tão somente, uma ajuntamento de pessoas em busca de interesses pessoais. Muitos deles são criados apenas para servir como siglas de aluguel.

Com tantos partidos, fica difícil para o eleitor, mesmo os mais sintonizados com o mundo político, identificar qual a bandeira que cada um deles representa. No entanto, na hora de uma votação importante, logo se vê os principais líderes reivindicando a parte que eles julgam lhes caber neste imenso latifúndio em que se tornou a República.

Quase todos estão envolvidos com denúncias de corrupção; alguns viram seus representantes de maior expressão ir para a cadeia por causa de propina. Com a credibilidade já no volume morto da confiança dos brasileiros, resolveram que deveriam se “reinventar”. Mas engana-se quem pensa que essa reinvenção passa por uma depuração, com reafirmação de valores éticos e voltados para a defesa dos ideais partidários. Longe disso. Para dar uma roupagem nova, o que os partidos propõem é simplesmente mudar de nome, ora acrescentando uma letra, ora retirando uma  outra( é o PMDB que quer retirar o P; o PP que vai virar apenas Progressistas; PTN, que vira Podemos e por aí vai). Nada disso vai modificar o que está posto e desgastado ante os olhos da Nação. Remendo novo em tecido velho não costuma funcionar.