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O que está por trás dos motins da Casa de Custódia

Sinal de alerta aceso na cúpula da segurança do Estado por conta dos motins que aconteceram no domingo passado e ontem na Casa de Custódia.  Além das manifestações dos custodiados, que resultou na depredação de algumas alas do presídio, a cidade registrou ontem o incêndio em três ônibus e dois automóveis, que a polícia está investigando para saber se tem ligação com os motins.

Se a ordem para o ataque aos veículos partiu mesmo de dentro do presídio, como desconfia a polícia, é preciso ficar realmente vigilante porque esta é uma tática muito comum ao Primeiro Comando da Capital, o temido PCC, conhecido por tocar o terror nas penitenciárias do sul do país.

Ainda é cedo para dizer se há um núcleo do comando agindo aqui no Piauí. Mas as autoridades de segurança não podem pagar para ver. Por isso, ainda ontem, foram realizadas duas reuniões de emergência com os secretários de Segurança, de Justiça, o delegado geral e outras pessoas que atuam nessa área.

Ações como essas que ocorreram esta semana devem ser combatidas com inteligência e força, logo no início, para que não ganhem corpo e domínio da situação. A Casa de Custódia, como todos têm conhecimento, é um ambiente propício para o surgimento de rebeliões. Com estrutura precária, o prédio abriga o triplo da capacidade disponível, formando um amontoado de presos prestes a praticar ações violentas. As informações preliminares passadas pelo secretário de justiça, Daniel Oliveira, dão conta de que o motim foi em consequência de ações moralizadoras que estão sendo implantadas lá dentro, como a instalação de câmeras de segurança.

Se for verdade, é sinal de que a secretaria está no caminho certo, pois o que incomoda os bandidos é bom para a sociedade. O que não pode agora é haver qualquer tipo de recuo nessas ações, caso contrário os detentos sentirão a fragilidade do aparelho estatal e transformarão Teresina numa réplica do que acontece no Rio de Janeiro.