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O preço da reforma política

A novela sobre a tão aguardada reforma eleitoral segue esta semana, sem que se possa afirmar com certeza que a PEC será votada nos próximos dias. Os parlamentares ainda não conseguiram chegar a um consenso sobre pontos como a alteração do sistema eleitoral, que incluiria a adoção do distritão, ou mesmo sobre o percentual da receita destinado ao financiamento público de campanha. Os eleitores não engoliram a proposta de destinar R$ 3,6 bilhões do orçamento para financiar campanhas políticas, enquanto faltam recursos para implantar e manter UTIs no Brasil.

Até o momento, acordo mesmo só com relação ao texto apresentado pela deputada Shéridan (PSDB-RR), que propõe o fim das coligações partidárias para a eleição de vereadores e deputados e a adoção da cláusula de desempenho eleitoral, que visa a diminuir o excessivo número de partidos políticos no país.

A reforma política encontra dificuldades para ser aprovada, primeiro, porque mexe em interesses dos próprios parlamentares que irão votá-la. Segundo, porque está em discussão em um momento de extrema fragilidade do governo, acuado por sucessivas denúncias de corrupção.

Aprovar uma PEC em um momento delicado como esse coloca o governo por trás de uma vitrine de cristal com 503 deputados apontando para ele com um estilingue nas mãos. Cada um quer tirar proveito da situação e negocia seu preço para aprovar qualquer reforma. Michel Temer planejou entrar para a história como o presidente que teve a coragem de fazer as reformas necessárias ao país. Mas, no meio do caminho, foi atropelado pela Lava Jato e, agora, apenas tenta sobreviver como um náufrago perdido em alto mar. Para salvá-lo, os piratas que o rodeiam cobram um preço alto. Tão alto que compromete todo seu projeto político.