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Não veremos país nenhum

Depois de barulhentos protestos de artistas, ambientalistas, bispos  e intelectuais, o governo recuou, pelo menos parcialmente, do decreto  de extinção da reserva natural localizada entre os estados do Pará e Amapá, na região norte. A Renca ( Reserva Nacional de Cobre e Associados) corresponde a um área de 4 milhões de hectares, tamanho equivalente ao estado do Espírito Santo.

Ontem, o governo anunciou que vai detalhar as condições para exploração de minérios na reserva. A atividade de mineração é bastante poluente, especialmente pelo uso de mercúrio, que acaba contaminando os rios e matando os peixes. Liberar a reserva para esse tipo de atividade é matar um pedaço considerável do nosso maior patrimônio, que é a Amazônia.

O Brasil prova que não sabe tomar conta do tesouro que possui. Aos poucos, ou aos muitos, estamos perdendo nossa diversidade de flora e fauna, o que temos de mais belo e rico em nosso país, e que nos torna únicos e cobiçados aos olhos dos estrangeiros. Mais que isso, a Amazônia e outros parques e florestas brasileiras são a nossa própria sobrevivência. Destruí-los é destruir a nós mesmos.

Nesse ritmo, estaremos,  daqui a pouco tempo, estaremos como na ficção de Ignácio de Loyola Brandão, descrita no livro Não Verás País Nenhum, na qual os brasileiros sobrevivem em uma região árida, sem uma folha sequer nas árvores, sem água potável e outros bens indispensáveis para uma vida saudável.

Não precisa ir longe. Aqui mesmo no Piauí,  assistimos  impassíveis à morte lenta dos rios Parnaíba e Poty, à agonia da Lagoa do Portinho, às caçadas predatórias na região da Serra da Capivara, e outras aberrações do gênero. Achamos que por termos a natureza em abundância, podemos maltratá-la ao nosso bel prazer, quando, na verdade, estamos assinando nosso próprio atestado de óbito.