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De bandido a mocinho.

Em entrevista à Revista Veja desta semana, o empresário Joesley Batista começa a por em prática um plano para reverter a imagem de bandido e recuperar o prestígio do qual desfrutava quando era amigo pessoal do então presidente Lula. Nas declarações concedidas à revista, Joesley tenta bancar o mocinho.

Ele diz que foi conduzido a esse esquema de “ajuda” a políticos de alto escalão e que achava absolutamente normal porque essa era a regra do jogo para operar com o Estado. Chega a dizer, em tom de cinismo, que : “ Se os mandatários do Estado negociam com você daquela forma, você acaba achando que opera dentro de um padrão de normalidade”.

Um homem inteligente, capaz de criar um império empresarial, não pode se declarar ingênuo ao ponto de achar que é normal pagar propinas milionárias para obter negócios vantajosos para si, em concorrência desleal com os demais empresários.

Agora, depois do estrago feito, e de viver recluso com medo da reação das ruas, Joesley tenta posar de bonzinho, como se fosse uma vítima indefesa nas mãos de poderosos. Ora, nessa história não há inocentes. Os que subornam e os que são subornados dividem a mesma culpa, e não venham com essa estorinha de “padrão de normalidade”. Normal é agir dentro das leis vigentes no país, pagando impostos e empreendendo honestamente.  Muitos empresários faliram enquanto Joesley prosperava por meio de uma concorrência predatória, ancorada na corrupção.

Nessa entrevista, Joesley entrega Eduardo Cunha, o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, a ex-presidente Dilma Rousseff e, claro, Michel Temer, alvo da maior ira do empresário. Diz ele que, só muito tempo depois, entendeu que o que estava fazendo era crime. Até as crianças do ensino fundamental sabemque corrupção é crime, menos o inocente Joesley, que só sabia mesmo contar o dinheiro obtido às custas de negócios escusos.