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A flecha voltou-se contra o atirador

O cacique Janot que atirava flechas heroica e impiedosamente se viu acuado ontem, diante do conteúdo descoberto quase por acaso dos empresários que ameaçaram explodir a Nação com suas declarações. De tão bombásticas, elas lhes renderam benefícios nunca antes vistos nesse país. Envolvidos em tramas escusas, como financiadores de um engenhoso processo de corrupção, os irmãos Batista gozaram de plena imunidade e foram passear nos Estados Unidos, logo depois de multiplicarem seus ganhos com o baque econômico provocado após as revelações encaminhadas à Procuradoria.

Desde o princípio, o país inteiro questionou os termos da negociação com os irmãos Batista e os executivos da JBS. A benevolência com eles foi excessivamente generosa. Como também foi questionada a suspeitíssima participação do procurador Marcelo Miller, até então assessor direto de Rodrigo Janot na Lava Jato.

Agora, a suspeita vira certeza. Marcelo Miller atuava mesmo como agente duplo, servindo aos empresários que lhe pagavam,utilizando as informações privilegiadas que obtinha da PGR, onde era homem de confiança. Uma trama só descoberta por conta da trapalhada dos irmãos da JBS que, de tanto quererem bancar os espertos, acabaram entregando um “auto-grampo”, onde conversam sobre essa estratégia nada republicana de se valer de gente da PGR para montar as gravações e a posterior delação.

O açodamento com que essas declarações foram jogadas ao vento foi suficiente para provocar um estrago de grandes proporções, comprometendo a votação das reformas necessárias ao país e atrasando mais ainda a recuperação da atividade econômica. Agora, vê-se que a armação foi montada de dentro da Procuradoria. A essas alturas, embora o Presidente Michel Temer peça serenidade em público, deve estar festejando com seus advogados, no privado.

Mais um dramalhão na novela mexicana em que se transformou o cenário político brasileiro que, de tão desmoralizado, já não pode ser levado a sério.