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A ficção já não consegue acompanhar a realidade brasileira

Está cada vez mais difícil a ficção acompanhar a realidade brasileira. Quando a gente pensa já ter visto o mais escabroso dos roteiros policiais, eis que uma nova trama surge com detalhes ainda mais sórdidos. Não está fácil acompanhar o desdobramento dos fatos que misturam política, economia e polícia em um mesmo camburão.

A mala de dinheiro carregada às pressas pelo deputado Rocha Loures  parece agora coisa de trombadinha perto dos caixotes e malas de dinheiro vivo encontrados em um apartamento do ex-ministro Gedel Vieira Lima, aquele mesmo que tentou dar uma carteirada para aprovar um empreendimento imobiliário em situação irregular em Salvador.

Do outro lado, o homem que se apresentava como o grande empresário do país, o rei da carne bovina, negocia com seu assessor a melhor maneira de destruir o Executivo e o Judiciário, como se brincasse de faroeste. Expõe seu plano  diabólico para levar o ex-ministro da justiça, José Eduardo Cardoso, a implicar os ministros da mais alta Corte do país. Tudo para se livrar das penalidades previstas pelos crimes que ele sabia ter praticado. E o pior: devidamente orientado por um procurador federal  diretamente ligado ao procurador geral, Rodrigo Janot.

Alguém, no mais profundo delírio, poderia imaginar um membro do Ministério Público a serviço da força-tarefa da Lava Jato servir do lado de lá, onde estão os bandidos que deveriam estar sendo investigados por esse mesmo MP? E ensinar como deve ser feita a armadilha para detonar os poderes constituídos da república?

A sordidez do diálogo entre Joesley Batista e o seu diretor Ricardo Saud é de arrepiar os cabelos. Eles chegam a cogitar  até mesmo levar mulheres para a cama com o único propósito de alcançar o objetivo do que eles chamam de “negócio”.  É de enojar qualquer cidadão. O Brasil está atolado na pior crise moral já vivida desde que Pedro Álvares Cabral o descobriu. Essas notícias vêm à tona justamente às vésperas do feriado da pátria, que não terá do que se orgulhar nesse sete de setembro.