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Crise de confiança

Vai ficando cada vez mais difícil para o brasileiro comum que se mantém minimamente informado acompanhar e entender o que se passa na política brasileira. A Câmara Federal concluiu ontem a leitura da segunda denúncia apresentada contra o Presidente da República, Michel Temer, por organização criminosa e obstrução à justiça. No mesmo dia, o ex-candidato a presidente, senador Aécio Neves, foi afastado do mandato por decisão da Suprema Corte. Também teria tentado obstruir a justiça durante as investigações da Lava Jato. O ex-presidente, e maior líder político do país, Luís Inácio Lula da Silva, foi condenado a 9 anos e meio  em um processo e responde a outros seis.

Além deles, há ainda uma leva de ministros, deputados e senadores enrolados até o pescoço engravatado com a Lava Jato. Diante de um cenário tão desolador do ponto de vista da confiança do eleitor, é de se recordar a canção do saudoso Renato Russo, do grupo Legião Urbana: “Que país é este?”

Os eleitores brasileiros estão diante de uma das maiores crises de confiança já enfrentadas na história recente. Em quem acreditar? Como é possível que a elite dos dirigentes políticos, eleita e muito bem paga para representar a população brasileira, tenha se transformado em personagens de um enredo policial que parece não ter fim?

O eleitor precisa parar de ficar apenas reclamando quando seus parlamentares seguem para o banco dos réus e começar a mudar os critérios de escolha na hora do voto. Este ainda é o único antídoto contra a corrupção sistemática que se instalou em Brasília.