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Saúde pública desidrata por falta de recursos

A sexta-feira é de protesto e paralisação na saúde. Os médicos do Piauí cruzam os braços hoje em advertência, após decisão tomada em assembleia geral no último dia 2. A categoria não vai atender nos hospitais do Estado, exceto os casos de urgência e emergência. Durante a manhã, eles estarão concentrados em frente ao ambulatório azul do Hospital Getúlio Vargas, lembrando a pauta de reivindicações, que inclui o pagamento do piso salarial estabelecido pela Fenam  (Federação Nacional dos Médicos), estabelecido em R$ 13.847, realização de concurso, melhores condições de trabalho e progressão automática na carreira.

Se já é difícil para o paciente do SUS conseguir uma consulta médica em dias normais, imagine com mais um dia represado. Por outro lado, os médicos estão sendo submetidos a um trabalho extenuante, muitas vezes em condições adversas. Merecem remuneração justa e digna para exercer uma profissão desgastante e que precisa de aprendizado contínuo. Não é a toa que eles estão adoecendo em escala preocupante.

 

Aperto chega aos hospitais

Para piorar a situação, os hospitais e clínicas que atendem pelo Iaspi também ameaçam parar porque já estão com a corda no pescoço. O atraso no pagamento a esses estabelecimentos se acumula há quatro meses, sufocando financeiramente a gestão de empresas que lidam com vidas humanas.

O Iaspi reúne 240 mil segurados no Piauí, o que representa 50% de todos os assegurados por convênio no estado. Com isso, criou-se uma dependência natural do pagamento do estado. Quando este atrasa, compromete o funcionamento de estabelecimentos que são vitais para a saúde da população.

Por fim, após audiência com o secretário da Fazenda, Rafael Fonteles, para tratar da regularização do pagamento da rede credenciada, os diretores de hospitais e clínicas decidiram esperar até o dia 10 de outubro. Se, até lá, o pagamento não for feito, ele deixam de atender os segurados do Iaspi.

 

Contas no Vermelho

Não é novidade para ninguém que o Estado encontra-se em situação financeira delicadíssima, com atraso no pagamento de fornecedores e terceirizados, com obras paralisadas e botando as mãos para o céu para agradecer porque, até agora, não atrasou a folha dos servidores. Alega a queda no Fundo de Participação dos Estados, provocada pela crise econômica que devastou o país desde 2015.

No entanto, quando há planejamento eficaz, há sempre uma reserva financeira para atravessar momentos difíceis. Além do mais, é preciso estabelecer prioridades na gestão pública. E a saúde, sem dúvida alguma, é uma delas.