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A fiscalização contra o trabalho escravo não pode parar

A lista de empregadores que utilizam trabalho escravo ou análogo à escravidão em suas fazendas, divulgada ontem pelo Ministério do Trabalho, é uma prova de que, apesar de toda a vigilância, ainda há patrões que insistem em usar métodos degradantes para obter o lucro.

Seis pessoas foram denunciadas no Piauí, a maioria proprietários de fazendas de extração da carnaúba. O Estado é o segundo do Nordeste neste tipo de irregularidade, ficando atrás apenas do Maranhão. Mas a situação não é restrita à região. Em todo o Brasil, há resgate de trabalhadores que estão vivendo em condições precárias nas fazendas onde dão o suor por um prato de comida, de baixa qualidade, diga-se de passagem.

Não obstante essa situação revoltante, o Presidente Michel Temer concordou em abrandar as regras que caracterizam o trabalho escravo, apenas para obter os votos da bancada ruralista na votação de mais uma denúncia contra ele, marcada para amanhã.

É evidente que não se pode restringir o trabalho escravo à privação de liberdade. Quando trabalhadores exercem sua atividade em condições sub-humanas, abrigados em alojamentos insalubres, com jornada exaustiva, sem equipamentos de proteção, e com uma dívida alimentar que só cresce a cada dia, encontram-se em situação análoga à dos escravos africanos que vieram trabalhar nas lavouras de cana do Brasil.

Limitar a atuação do Ministério Público do Trabalho na fiscalização desse tipo de exploração é um retrocesso inaceitável.