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A dor de Camila e de todas as mulheres

A bala que atingiu a estudante Camila feriu a todas nós, mulheres,  e também aos homens que silenciam diante da violência praticada diariamente contra mães, filhas, estudantes e trabalhadoras, pelo simples fato de pertencerem ao sexo feminino. A dor de Camila não se restringe apenas à família da jovem de 21 anos, que teve sonhos, projetos e futuro interrompidos. É uma dor coletiva, movida pela impotência diante de tantos crimes praticados contra mulheres de todas as idades.

Amanhã, a Camila estará esquecida e as notícias citarão outros nomes, outras vidas. Tem sido assim nos últimos tempos. É uma prova de que nossa sociedade falhou enquanto organização social que deveria proteger seus cidadãos e cidadãs. Assim também como são falhas as leis que promovem a impunidade de assassinos covardes, que se utilizam da sua superioridade física para sufocar a enorme carência afetiva e moral que carregam dentro de si. Ou alguém tem dúvida de que, dentro de pouco tempo, o assassino da jovem estará solto, gozando das prerrogativas do instrumento chamado progressão da pena?

A punição ao agressor é minimizada, suprimida, até. Já não se pode dizer o mesmo da dor da família que perde alguém de forma prematura e violenta. Para os pais e amigos da Camila, assim como de tantas outras jovens que perderam suas vidas, a dor é um abismo que se agiganta ainda mais ao ver que os algozes permanecem soltos, ameaçando outras mulheres. É como colocar sal sobre uma ferida que insiste em não cicatrizar.