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As incoerências entre o que diz e o que faz a Corte

É difícil para a população entender o momento de sacrifício fiscal que o governo pede a todos os brasileiros com os exemplos que chegam diariamente do andar de cima. No dia primeiro deste mês, o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, garantiu aos juízes do Rio Grande do Norte o pagamento retroativo do auxílio moradia, no valor de R$ 39,5 milhões, referente ao período de 2009 a 2014. O mesmo pagamento há havia sido suspenso por recomendação do Conselho Nacional de Justiça.

É bom lembrar que o auxílio moradia é pago mesmo aos juízes que não precisam se deslocar do seu domicílio para exercer as atividades de magistrado. Independente de morarem ou não em casa própria, os senhores juízes,  e outras categorias contempladas com o mesmo benefício, recebem uma ajudinha extra no contracheque de R$ 4.377,73 por mês.

Mas isso não é tudo. A ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, achou de tinha mais direitos que os demais trabalhadores brasileiros e apresentou um pedido ao governo para acumular a aposentadoria de  desembargadora com o salário de ministra, que somam R$ 61 mil, bem acima do teto estabelecido para os servidores federais, que é de R$ 33.700.

O pior foi a justificativa da ministra ao dizer que precisava desse dinheiro para comer, se vestir e calçar. Ela chegou até a fazer uma analogia com o trabalho escravo, como se algum escravo pelo menos sonhasse em ganhar a aposentadoria de R$ 30 mil, a que ela tem direito. O mesmo entusiasmo não se viu para combater a portaria que afrouxou as regras de combate ao verdadeiro trabalho escravo existente hoje em fazendas e fábricas pelo Brasil afora.