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Feminicídios desafiam a justiça no Piauí

A versão do ex-tenente do Exército, José Ricardo Silva Neto, sobre o assassinato cometido contra a estudante Iarla Lima Barbosa, durante audiência de julgamento no Tribunal de Justiça, é quase tão revoltante quanto o próprio crime. O acusado falta virar vítima, segundo sua versão.

Essa tem sido uma retórica constante em casos de feminicídio, cada vez mais frequentes no estado, apesar do esforço da Secretaria de Segurança, com medidas como o aplicativo Salve Maria, que apresenta um botão do pânico para que a polícia seja acionada quando a vítima estiver sofrendo algum tipo de ameaça.

Depois da Iarla, veio a Camila. E, não nos enganemos, depois delas, ainda virão muitas outras, até que a justiça seja aplicada com rigor. A estratégia de desqualificar a vítima, em vez de atenuante, deveria servir como agravante, uma vez que machuca as famílias duplamente. Primeiro, pela perda de uma vida; segundo, pelo achincalhamento moral a que são submetidas as vítimas, sem chance alguma de defesa.

O Piauí está de olho no julgamento do tenente para que ele sirva de exemplo a outros agressores que conservam o pensamento retrógrado e doentio de acharem que podem tirar a vida de suas companheiras ao menor sinal de aborrecimento.