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Adiamento da votação é temeroso para o governo

O adiamento da votação da reforma da previdência, uma bandeira de primeira hora do Governo Temer, só enfraquece a proposta. Quanto maior a demora para votar, maior a pressão para desidratar o projeto original. O próximo ano terá eleições gerais e os parlamentares, de olho nas urnas, vão votar pensando mais em agradar aos eleitores do que em equilibrar a previdência.

A reforma é inevitável, em função da inversão da pirâmide etária do país. Felizmente, nós, brasileiros, estamos vivendo mais. Com isso, os aposentados passam mais tempo usufruindo o benefício da aposentadoria. Por outro lado, com a redução da taxa da natalidade, a população jovem encolheu e há menos pessoas para contribuir com o sistema. Mas a demagogia quase sempre supera a razão.

Outro agravante com a transferência da votação para fevereiro do ano que vem é que, com isso, aumenta o poder de barganha do centrão. Agora, eles terão ainda mais tempo para engordar a fatura a ser paga pelo governo para ver a reforma aprovada. E o governo está disposto a pagar.

Enquanto isso, os indicadores econômicos só melhoram. A previsão de crescimento do PIB aumentou, a inflação está abaixo da meta e os investidores voltaram a apostar no país, com uma discreta recuperação do emprego.  As perspectivas, segundo os economistas mais experientes, é de que esses números deverão apresentar um resultado melhor ainda caso a reforma da previdência seja aprovada.