Cidadeverde.com

A lição de Marcelo Odebrecht

Começa a chegar ao fim o calvário de dois anos e meio vivido pelo empresário Marcelo Odebrecht, confinado durante esse período no complexo médico de Pinhais, na Grande Curitiba. Marcelo, herdeiro de um dos maiores grupos empresariais do país e um dos maiores beneficiados com favorecimento e superfaturamento de obras durante os governos petistas, tornou-se uma espécie de símbolo das prisões da Lava Jato. O príncipe dos empreiteiros, como era conhecido, resignou-se silenciosamente no seu confinamento.

Hoje deve voltar para casa, em um condomínio de luxo no bairro do Morumbi em São Paulo, onde cumprirá pena em regime domiciliar fechado, com uso da tornozeleira eletrônica pelos próximos dois anos. Ainda é um constrangimento para quem sempre esteve no comando das decisões, dando, e não recebendo ordens. No entanto, a partir desta terça-feira voltará a desfrutar dos luxos e regalias permitidas à elite da qual sempre fez parte.

A prisão de Marcelo Odebrecht, assim como a de outros empreiteiros brasileiros enrolados na Lava Jato, foi emblemática para o Brasil. Mostrou pela primeira vez que ricos e pobres estão sujeitos à mesma lei, independentemente do valor que possam pagar pelas mais caras bancas de advocacia do país. Não deveria ser um caso excepcional, ao contrário. Em um país de igualdade, o normal é que todos os seus cidadãos respondam ao ordenamento jurídico da mesma forma e em iguais condições. Porém, não foi isso que nos acostumamos a ver ao longo da história brasileira.

Que os dois anos e meio vividos na carceragem tenham servido de lição, não só para o clã Odebrecht, mas para todos que se acham acima da lei e que entendem que o país existe para servi-los e não o contrário.