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Lava Jato depende agora da opinião pública

É impressionante, ou melhor dizendo - decepcionante, a quantidade de forças que se movem para tentar conter a Operação Lava Jato, a maior e mais bem sucedida operação já realizada no Brasil de combate à corrupção. De acordo com o Ministério Público Federal, graças à Lava Jato, a Petrobrás já recebeu de volta 1,5 bilhões de reais que foram desviados dos seus cofres. É uma quantia fabulosa! Ainda assim, representa apenas 13% do valor de R$ 10,8 bilhões que foram acertados nos 163 acordos de colaboração premiada e leniência  fechados.

Só isso já justificaria o trabalho da turma de Curitiba, que vem se mostrando incansável e implacável com os corruptos que dilapidaram o patrimônio público. Mas não é tudo. Há ainda o efeito pedagógico de mostrar que, pela primeira vez, o topo da pirâmide acostumado a fraudar licitações e a pagar propinas para obter vantagens ilícitas também está sujeito às penalidades da lei.

A máscara caiu. Grandes empreiteiros, o então presidente do maior partido de oposição, senador Aécio Neves, o maior líder popular que o país já teve, o ex-presidente Lula, o ex-presidente da Câmara , Eduardo Cunha, ministros, deputados, foram todos  expostos publicamente, desnudando o modo como tratavam os recursos do povo brasileiro.

Mas é lamentável que boa parte do Congresso, e até mesmo alguns integrantes do Supremo Tribunal Federal, insistam em enfraquecer a Lava Jato para que tudo volte a ser como era antes, na sombra confortável da impunidade. Só a sociedade civil organizada pode salvar o trabalho realizado pelo juiz Sérgio Moro. A mobilização da opinião pública é fundamental para sustentar a limpeza que está sendo feita a partir do Paraná. O destino da ética brasileira está nas mãos de nós, brasileiros.  Depois, não adianta chorar o leite derramado.