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Chantagem com o chapéu alheio

Tudo bem que o governo se empenhe pessoalmente em aprovar a reforma da previdência, necessária para o equilíbrio das contas públicas em um país cujo aumento do número de idosos não é acompanhado na mesma proporção pelo número de jovens que ingressam no mercado de trabalho. Mas daí a chantagear os governadores e prefeitos, com pressão de só liberar recursos dos bancos públicos caso os gestores estaduais e municipais se empenhem para a aprovação da reforma já é um pouco demais.

Foi o que fez o atabalhoado ministro da Articulação Política do governo Temer, Carlos Marun, político alçado à condição de ministro por defender  com unhas e dentes o presidente e suas ideias.  A resposta veio de forma dura e imediata. Após a declaração do ministro de que a liberação de recursos em financiamentos da Caixa Econômica Federal estaria condicionada à dedicação dos gestores na questão da previdência, os governadores do Nordeste apresentaram uma carta repudiando com veemência as declarações de Marun.

Assinada pelos nove gestores nordestinos, o documento deixa claro que eles não hesitarão “em promover a responsabilidade política e jurídica dos agentes públicos, caso a ameaça se confirme.” E mais: enfatizam que não admitem “ atos arbitrários para extrair alinhamentos políticos, algo possível somente na vigência de ditaduras cruéis.”

A defesa do ministro só piorou a situação. Disse ele que se os bancos são públicos, é natural que o governo faça esse tipo de “acordo”. Caso contrário, os governadores deveriam buscar recursos em bancos privados. Esqueceu-se o ministro que bancos públicos não significam propriedade do governo. Público é o que pertence aos milhares de brasileiros que pagam impostos no país e sustentam essas instituições. Trocar financiamento por voto é uma barganha que não cabe em uma democracia que se preze.