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A que foi sem nunca ter sido

Quando a quase ministra Cristiane Brasil pensava que, finalmente, iria tomar posse como titular do Ministério do Trabalho, a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Carmem Lúcia, impôs mais um revés ao governo e suspendeu a nomeação. A decisão ainda pode ser revista, mas não deixa de ser mais um episódio de desmoralização para o Planalto, para a própria deputada e para seu partido, o PTB.

A deputada Cristiane Brasil é filha do ex-deputado Roberto Jefferson, presidente do PTB, condenado no rumoroso escândalo do mensalão.  Ao apoiar o nome da própria filha para assumir o Ministério do Trabalho, Roberto Jefferson acabou foi expondo-a a uma humilhação sem tamanho.

Primeiro, porque trouxe à tona as acusações de que a deputada havia sido condenada pela justiça trabalhista por não ter assinado a carteira do próprio motorista, além de tê-lo submetido a jornadas extenuantes de trabalho. Uma incoerência total e absoluta para quem pretende assumir o cargo de defensora das leis trabalhistas. Segundo, depois de tantas ações já movidas para impedir a sua posse, a demora só vai desgastando ainda mais a imagem já esfacelada da candidata à ministra.

Quanto mais o tempo passa, maior a agonia e o vexame. Qualquer outro pai  tentaria abreviar essa humilhação, mas como político tradicional e fisiologista que é, Roberto Jefferson não se incomoda com a execração pública da filha. Prefere vê-la nomeada ministra a qualquer custo, mesmo sabendo que sua eventual posse ( se é que venha a acontecer) já começa manchada. E qual o respeito que uma ministra terá à frente da sua pasta depois de toda essa sucessão de escândalos e entraves?