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A justiça e o julgado

Apesar do discurso inflamado do próprio ex-presidente Lula e dos seus seguidores, o que aconteceu ontem no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, foi somente o funcionamento normal do julgamento de uma figura pública, demonstrando que a democracia brasileira amadureceu e que suas instituições são maiores que seus líderes.

Lula, sem dúvida alguma, é o maior líder popular na história recente do país. E ele apostou nisso para que seu julgamento seguisse um curso diferente do preceito jurídico. Imaginou o ex-presidente que a figura do julgado iria prevalecer sobre os autos. Não foi o que aconteceu. O trabalho realizado pela Polícia Federal, Ministério Público e Justiça foi conduzido conforme deve ser feito com qualquer cidadão deste país. O Desembargador  Leandro Paulsen resumiu o sentimento da Corte na seguinte frase: “Ninguém será condenado por ter costas largas, nem absolvido por ter costas quentes.”

O PT questiona a materialidade das provas, mas todo mundo sabe, até os mais inocentes, que dinheiro de propina e corrupção não tem recibo ou escritura passada em cartório. É a soma dos indícios, depoimentos, documentos, imagens, que levam à conclusão da peça. E, convenhamos, as evidências foram muitas.

Lula, alavancado por sua popularidade ainda alta, vai tentar disputar mais uma vez a Presidência da República, embora as chances, hoje, sejam mínimas, já que a condenação foi por unanimidade.