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Saudades da Panair

Sob a alegação de que iria baixar os preços das passagens aéreas e beneficiar o consumidor, a Agência Nacional de Aviação Civil ( Anac)autorizou, em meados do ano passado, a cobrança da bagagem despachada no avião. Até hoje, o consumidor ainda não obteve qualquer benefício com a decisão, que só serviu mesmo para encarecer o custo para quem viaja de avião e aumentar o lucro das companhias aéreas.

Em média, quem deseja despachar sua bagagem ( ou quem precisa, no caso de quem vai fazer uma viagem um pouco mais demorada) tem que pagar R$ 30 por um volume. Ontem, a Latam anunciou que vai passar a cobrar R$ 40 para uma mala de até 23 kg. Pergunte agora se o valor da passagem caiu? De forma alguma.

Com isso, muita gente mudou de comportamento e passou a apertar as roupas em uma pequena mala de bordo. Na hora do embarque, independente de viajar com assento marcado, agora há uma disputa para entrar primeiro no avião e garantir um lugar para sua mala nos espaços acima das poltronas. Estas, aliás, são outra fonte de desconforto para quem embarca em uma viagem aérea. Em espaços cada vez mais apertados, o passageiro se espreme sem poder mexer-se muito, além do natural movimento das pálpebras para uma piscada de olhos.

A Anac, pelo visto, trabalha mais em defesa das companhias do que dos consumidores, que viajam em condições cada vez mais caras e menos confortáveis. Isso faz lembrar aquela canção do Milton Nascimento: Saudades da Panair.