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Duas tragédias que atendem pelo mesmo nome

Duas meninas. Duas fantasias. Duas Emily e um mesmo destino trágico. A infeliz coincidência que une as pequenas aconteceu no espaço de tempo inferior a dois meses. A primeira, piauiense, foi alvejada por tiros disparados por um policial militar na noite de Natal.

A segunda morreu ontem de madrugada no Rio de Janeiro, também vítima de uma arma de fogo. A diferença é que a pequena carioca morreu por ação dos bandidos, após uma tentativa de assalto. A pequena piauiense foi vítima de um policial despreparado que, em vez de garantir a segurança, a tirou para sempre da família atingida.

Nos casos acima, agentes que deveriam estar em lados opostos cometeram o mesmo crime,  ferindo de morte a infância brasileira, exposta à violência urbana que se alastra de norte a sul do país. Na morte das duas Emily, policial e bandido se igualam, de forma irresponsável, mostrando a face mais cruel de um estado que parece ter perdido o jogo para a criminalidade.

As crianças brasileiras, antes mesmo que possam entender o porquê da violência, já sentem na pele seu efeito mais cruel. Quase que diariamente, as crianças que estudam em escolas localizadas nos morros do Rio de Janeiro são aterrorizadas com rajadas de tiros trocados entre os traficantes e a polícia.

Aqui em Teresina, os assaltos às escolas têm sido frequentes. O lugar sagrado do saber é constantemente invadido por bandidos que levam de material pedagógico até a merenda escolar. Estamos todos desprotegidos, vivendo em um país onde a mão do estado não consegue garantir segurança aos seus cidadãos. Nesse cenário de guerra, nem mesmo as crianças escapam. Ao contrário, elas crescem sob a sombra do medo e, muitas vezes, têm o futuro abreviado, revelando a incompetência de quem deveria zelar por ele.