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O Brasil merece um jejum de corrupção

A Igreja Católica inicia hoje o período da quaresma, representada pelos  quarenta dias de preparação para a Páscoa do Senhor. Durante todo esse tempo, a liturgia pede mais despojamento, simplicidade e silêncio. É o tempo de conversão para a celebração do Cristo Ressuscitado e, para bem marcar esses quarenta dias, a tradição recomenda jejum aos fiéis.

Até há algum tempo, o jejum era entendido apenas como a abstinência da carne vermelha, mas a Igreja já estendeu esse conceito, sinalizando que o jejum simboliza o sacrifício, não apenas de um tipo de alimento. Antes de tudo, deve-se abrir mão do pecado, do que faz ferir o outro ou a sociedade como um todo.

Embora sendo um país laico, o Brasil ainda é majoritariamente católico. Seria, pois, o momento propício para que os brasileiros, sobretudo os que governam, legislam e julgam, fizessem uma revisão de comportamento e decidissem abrir mão de todos os atos que ferem a dignidade do povo brasileiro.

Que tal, em vez de abster-se do filé mignon servido no almoço, deixar de lado atos de corrupção que lesam o Erário? Ou de legislar em causa própria, ferindo os interesses de toda a sociedade? Ou, ainda, abandonar a prática vergonhosa de venda de sentenças pelos tribunais afora?

Se é para viver o período de conversão e abstinência proposto pela quaresma, que sejam abolidas as práticas danosas ao patrimônio público, que levam ao enriquecimento ilícito de uma casta perversa, responsável pelo aprofundamento do fosso social existente hoje no país.