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A revolta do samba

A insatisfação do povo brasileiro com o estado de corrupção que assolou o país chegou ao extremo e invadiu a avenida do samba, acostumada a assistir, na sua maioria, a desfiles com temáticas sobre reis, belezas naturais ou personalidades artísticas. Mas o carnaval, antes descrito como a alegria do povo, também mostrou que é capaz de externar sua indignação e protestar de forma bem humorada.

Não deu outra. A Escola de Samba Beija-Flor sagrou-se campeã do desfile de 2018 com um enredo que apresentava o descontentamento dos brasileiros com a corrupção, a criminalidade, as negociatas, o desmonte da Petrobrás. As alegorias de ratos gigantes passaram pela Sapucaí e mandaram um recado claro neste ano de eleições. Não dá mais para suportar tanta roubalheira e jogar a conta depois para a classe trabalhadora.

A voz do samba ecoou nas arquibancadas, agradou ao público e aos jurados. Espera-se que tenha chegado também aos ouvidos dos nossos representantes, bem como daqueles que irão disputar um mandato no próximo pleito. A Nação foi saqueada por pessoas inescrupulosas, preocupadas unicamente com o enriquecimento pessoal por meios ilícitos. Mas o povo despertou e gritou bem alto que já não suporta mais esse tipo de comportamento por quem deveria defender nossos interesses. Tomara que passada a ressaca do carnaval, a amnésia não volte a tomar conta dos foliões, deixando-os anestesiados e prontos para repetir o mesmo erro na hora de depositar o voto nas urnas.

Se soubemos escolher a campeão do carnaval, que bom se soubéssemos escolher também os futuros governantes e legisladores. Como diz a letra da canção Rosa dos Ventos, de Chico Buarque: “... e a multidão vendo atônita, ainda que tarde, o seu despertar.”