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Ministério não é solução para crise na segurança

É típico de governos despreparados apresentar soluções fáceis para problemas complexos. Agora mesmo, com a popularidade rastejando, o presidente Michel Temer tenta dar uma satisfação popular, ou populista, com a criação do Ministério da Segurança Pública. A ideia é passar uma resposta rápida para conter a violência que se alastra pelo país e que ganhou contornos assustadores no Rio de Janeiro durante o carnaval.

A crise na segurança pública não é recente. Vem se arrastando há vários anos e possui não apenas uma, mas múltiplas causas. A começar pela mais profunda, e mais delicada, que é a abismal desigualdade existente entre ricos e pobres, a falta de uma educação pública igualitária e de qualidade, que permita a todos os brasileiros terem acesso às mesmas oportunidades de trabalho, até chegar na falta de investimentos na área de inteligência policial. Poderíamos citar ainda a defasagem do Código Penal  brasileiro, que abre brechas inimagináveis para que criminosos permaneçam em liberdade.

Como é mais difícil, mais caro e mais demorado combater todas essas chagas citadas, o governo apela para uma solução imediata, que só irá servir para onerar o Erário, com a instituição de mais uma máquina pública para abrigar políticos e seus indicados. Incha-se o Estado, sem tocar na ferida que causa os sintomas sentidos nas ruas. Por que a Finlândia é um país seguro? Porque lá priorizou-se a educação de alto nível para todos as crianças finlandesas. Há mais de 50 anos, Darcy Ribeiro, de saudosa memória, já dizia: “Se os governantes não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios”.