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Intervenção não pode ser apenas midiática

O país inteiro está acompanhando com bastante atenção a intervenção federal no Rio de Janeiro por conta da crise na segurança pública. Na verdade, o Rio de Janeiro apenas tem mais visibilidade, por ser um estado de grande potencial turístico, sede da maioria dos veículos de imprensa de maior influência no  Brasil, mas o que acontece lá se reproduz, de certa forma, em quase todos os estados da federação.

O governo federal precisava dar uma resposta imediata ao que aconteceu no Rio durante o carnaval, a maior festa popular, e que atrai milhares de turistas nacionais e estrangeiros. Mas agora criou-se um dilema. O estado brasileiro não pode falhar. As expectativas criadas sobre essa intervenção são enormes e, se não der resultado, o crime organizado sai ainda mais fortalecido, sabendo que nem as forças federais são capazes de detê-lo.

Por outro lado, os outros estados, que também sofrem com o desmantelo do aparelho de segurança, a exemplo do Piauí, esperam por uma ajuda federal para conter a violência, que já chegou ao nível do absurdo. Até porque, sem segurança, não dá para ir à escola, ao médico, ao trabalho, ou mesmo sair com a família em busca de lazer. O cidadão torna-se refém do medo e a sociedade fica paralisada.

Mais do que uma intervenção midiática, o Brasil precisa de um plano bem estruturado para devolver a segurança aos brasileiros. E isso envolve reforma em vários setores. Terá o governo coragem e, principalmente, apoio suficientes para implementar algo desse porte? Se não for para mexer no problema desde a raiz, melhor não acender a esperança mais uma vez, para não vê-la frustrada na manhã seguinte.