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Por que o porte de arma é tão perigoso

O episódio ocorrido neste final de semana em Teresina trouxe à luz do dia a discussão sobre o Estatuto do Desarmamento. No sábado, após uma briga em uma concessionária da zona leste, um empresário sacou a arma e disparou vários tiros contra o seu agressor, chegando, inclusive, a entrar dentro da loja atirando, o que provocou pânico entre funcionários e clientes.

Até hoje, são muitos os que defendem o direito de a população portar uma arma de fogo para sua defesa pessoal. Acontece que, se cada cidadão passar a usar uma arma, nossas cidades se transformarão em uma praça de guerra. Muitas discussões, que não deveriam passar de um bate-boca, acabam com a morte de um dos envolvidos, justamente porque o outro saca uma arma para calar seu desafeto.

Aumentaria o número de mortes causadas por ciúme, desavenças pessoais, brigas de trânsito, ou até mesmo discussões políticas. No calor da raiva, tomado pela fúria, o impulso de sacar uma arma é grande, mesmo para pessoas consideradas pacatas.

Entregar ao cidadão comum a responsabilidade por defender-se contra a violência urbana é retirar do Estado a obrigação constitucional de promover a segurança pública. Os policiais civis e militares são  quem devem cuidar do combate à violência e garantir que a população possa viver com tranquilidade. Eles, sim, são treinados e preparados para esta função.

A cada vez que se assiste a uma cena como a de sábado, percebe-se claramente que não dá para armar a população para que ela possa resolver seus conflitos na bala. Nos Estados Unidos, onde a indústria armamentista faz lobby pesadíssimo, qualquer cidadão pode comprar um revólver, uma pistola ou equivalente. E, vez por outra, um desajustado compra armamento pesado e sai atirando a esmo em cinemas, escolas, shows, promovendo chacinas traumatizantes. Não precisamos de mais isso no Brasil.