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O voo do Supremo

É impressionante o descompasso existente entre a suprema Corte do país e o mundo real em que vivem milhões de brasileiros. A começar pelo ritmo de trabalho e os salários destinados aos ministros do STF. Embora sejam os detentores do teto salarial do funcionalismo público ( R$ 33.763), e ainda recebam um amontoado de auxílios complementares,  trabalham em um regime de horário impensável para a maioria dos trabalhadores.

Ontem, depois de uma longa discussão para saber se caberia, ou não, ao Supremo julgar o pedido de habeas corpus do ex-presidente Lula, os ministros deram por encerrada a sessão, mesmo sabendo da relevância do tema em questão. O país inteiro acompanhava o julgamento que, mais do que decidir o destino do ex-presidente, vai decidir o destino da Operação Lava-Jato, a maior ofensiva já realizada contra a corrupção no Brasil. Era a esperança de milhares de brasileiros que estava ali, a um voto dos distintos ministros, ágeis em jogar impropérios uns contra os outros, lentos em julgar os processos que lá chegam.

O ministro Marco Aurélio de Melo chegou a alegar que precisava pegar um voo e não poderia permanecer mais tempo na sessão. Como assim? Em plena quinta-feira, dia de um julgamento de fundamental importância para o país, o ministro marca uma viagem e deixa tudo em modo pausa?

Para piorar ainda mais, a sessão que deverá retomar o julgamento em questão só foi remarcada para o dia 4 de abril. Justificativa: semana que vem já é semana santa. Para eles, claro, porque para o resto dos mortais, que trabalham muito e ganham  pouco, o expediente da próxima semana se estende até a quinta-feira.