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O país que emerge da Lava Jato

Embora os radicais insistam em não ver, o Brasil, definitivamente, está mudando. Pelo menos no que diz respeito às suas instituições. Nos últimos meses, elas têm dado uma demonstração de maturidade e responsabilidade na condução dos seus trabalhos, independente de uma ou outra voz dissonante, que destoa do conjunto.

Há apena uma década, seria absolutamente impensável que políticos e empresários de costas largas, e contas idem, pudessem pagar pelos seus crimes e terminassem encarcerados como criminosos comuns. Até que veio a Lava Jato e o Brasil assistiu à prisão do presidente da Câmara Federal, Deputado Eduardo Cunha ( MDB), um dos políticos mais influentes do país. Disseram que era um caso isolado.

Depois, tiveram o mesmo destino o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, também do atual MDB; o príncipe dos empreiteiros, Marcelo Odebrecht, e seu colega de falcatruas empresariais, Leo Pinheiro, da OAS. Há dez dias, foi o ex-presidente Lula (PT), que se imaginava uma entidade inatingível.

Hoje, o Supremo Tribunal Federal deve receber a denúncia contra o senador Aécio Neves (PSDB), colocando-o na condição de réu. O ex-governador Eduardo Azeredo, também do PSDB, foi condenado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais a 20 anos de prisão por peculato e lavagem de dinheiro. Parafraseando Carlos Drummond de Andrade, tudo, somado, devias precipitar-te, de vez, nas águas. Mas, não, devemos festejar o fim da impunidade e o começo de uma nova era, onde as pessoas, independente do cargo que ocupam, pagam pelos crimes que cometem.