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50 anos depois, Dirceu volta ao protagonismo.

 

O ano não poderia ser mais emblemático. 2018 celebra o aniversário de muitas datas historicamente marcantes para o Brasil e para o mundo. Basta lembrar o movimento estudantil de maio de 68, na França, que completa agora 50 anos. Aqui, 1968 relembra o ano da famosa passeata dos cem mil, quando milhares de estudantes protestavam heroicamente contra a ditadura militar. Entre os que se apresentavam como heróis da resistência no fatídico 1968, estava José Dirceu.

De estudante revolucionário a guerrilheiro, com passagem por Cuba, Dirceu encerra sua biografia da pior maneira possível. Encarcerado mais uma vez, por decisão da juíza Gabriela Hardt. O  homem que um dia arregaçou as mangas para lutar pela liberdade vê-se agora privado dela. E não mais por arbitrariedade de um regime ditatorial, mas pelo pleno funcionamento das instituições democráticas.

Ao chegar ao poder, Dirceu passou a comandar um esquema de desvio de recursos jamais visto. Foi preso após o julgamento do mensalão, mas o castigo de nada lhe valeu, como escreve o juiz em sua sentença. “O mais perturbador em relação a José Dirceu de Oliveira e Silva consiste no fato de que praticou o crime inclusive enquanto estava sendo processado e julgado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal na Ação Penal 470 ( mensalão).”

Um dos pecados do ex-guerrilheiro foi imaginar-se acima da lei. Achava-se senhor absoluto da situação, na certeza de que nada nem ninguém poderia alcançá-lo. Perdeu feio. Ainda que lentamente, o Brasil está mudando e, mesmo os ídolos de outrora, também são apanhados pelo braço da justiça, que vai se mostrando cada vez mais consolidado. Que assim seja com os Dirceus, Aécios, Cunhas, Sérgios e quantos mais meterem a mão no dinheiro público.